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A importância do Plano Diretor para os EAS

Por Jonas Badermann de Lemos


O hospital moderno constitui-se de um edifício que abriga uma ampla variedade de funções, sendo considerado o espaço mais dinâmico da sociedade contemporânea. Nos últimos anos passou por um importante processo de mudanças que motivou atualizações nos modelos assistencial e de gestão. Fatores importantes como a evolução tecnológica acelerada, o maior nível educacional das pessoas e o maior acesso à informação contribuíram para dar uma maior velocidade às mudanças, resultando em modificações no perfil de exigências e expectativas dos usuários e também nas relações entre prestadores de saúde e pacientes.



O arquiteto, profissional cada vez mais solicitado a integrar o grupo gerencial para dar suporte técnico na organização espacial dos hospitais, encontra-se nesse grupo (de profissionais envolvidos na gestão). A prática da arquitetura hospitalar pressupõe um preparo que extrapola a simples composição formal e programática e exige conhecimento específico e abrangente. Envolver-se com ela significa conhecer, além do objeto em si, sua função, mercado, tendências, custos e remunerações dos serviços, relações, ou seja, o conjunto de atividades que possibilita sua macroorganização – o Plano Diretor Hospitalar.


Ao iniciar o desenvolvimento de um Plano Diretor deve-se definir claramente a razão de existir de um hospital, pois as organizações têm uma razão de ser, um objetivo, uma missão que é a síntese operativa de sua natureza e seus valores centrais. A razão de existir de um hospital resume-se a seu comprometimento com a sociedade em cinco pontos: o que faz, por que faz, onde faz, para quem faz e como faz.


O Plano Diretor deve conter a visão global e integrada de todos os elementos que incidem no funcionamento de um hospital. Não deve se limitar à análise espacial, aspecto no qual se centrará o resultado, senão que deve incluir os aspectos sócio-econômicos, tecnológicos, assistenciais, administrativos e do entorno geográfico. Esta análise serve para guiar as discussões, decisões, necessidades programáticas, fases de implementação e deve alcançar futuras ampliações e reformas.


Alguns autores definem Planos Diretores com variações de ênfase a fim de comprovar conceitos individuais manifestados em suas análises.


Segundo Ana Carolina Potier Mendes “[...] o Plano Diretor apresenta-se como importante ferramenta de organização espacial e de direcionamento de ações a serem tomadas pelas instituições hospitalares, na busca de seu reposicionamento como edificações modernas, flexíveis e aptas a enfrentar esse cenário.”


Observa-se nesse conceito sua preocupação com os aspectos de sucateamento, atualização e crescimento além do financiamento na concretização do que representa o fundamental para a instituição. Destaca também o Plano Diretor como importante instrumento de ações por ser ‘o elo de ligação entre o planejamento estratégico e a arquitetura do empreendimento.’


Para Larissa Leiros de Souza, “o Plano Diretor Hospitalar (PDH) vem destacando-se como peça fundamental e elementar para qualquer gestão, seja pública ou privada, de novos ou velhos estabelecimentos, envolvendo não apenas a infra-estrutura física, administrativa, financeira, mas também aspectos culturais, epidemiológicos e sociais.”


Assim, o Plano Diretor Hospitalar deve corresponder às inconstantes condições externas e internas dos diversos cenários, pois é retratando as realidades circunstanciais que ele adquire qualidade. Em face disso, o Plano Diretor torna-se o ponto de referência que todo o hospital deve ter para o desenvolvimento de suas atuações no tempo. Ele é o norteador do conjunto da gestão. Seus critérios estabelecem um sistema de controle e de avaliação que facilita sua própria reorientação, sendo por isso caracterizado como uma ferramenta dinâmica.


Finalmente, convém lembrar que a transparência e visualização do Plano Diretor Hospitalar servem também de estímulo e empolgação para os envolvidos com a missão institucional, pois permitem vislumbrar o “espírito” da organização de saúde com a qual estão comprometidos.