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Psicologia e Arquitetura: o ambiente como mais um recurso na terapĂȘutica infantil

  • Bianca Breyer
  • 16 de abr. de 2020
  • 2 min de leitura

Por Mariana Potrich


O processo terapĂȘutico, seja para adultos ou crianças, dentre as diferentes linhas teĂłricas da psicologia, ocorre em sua base a partir de uma relação, esta, obviamente, sustentada pela tĂ©cnica e apoiada em mĂ©todos e materiais. Contudo, para que este “encontro” alcance seus objetivos, o ambiente onde acontece tem relevĂąncia favorecedora.

Um espaço acolhedor e que inspire confiança Ă© ponto de partida para planejar um espaço terapĂȘutico. Contudo, hĂĄ especificidades para cada momento, e para cada “mensagem” nĂŁo verbal que se quer transmitir. No atendimento infantil Ă© importante ofertar um espaço onde a criança possa “ser”, experimentar-se, imaginar e criar, muitas vezes desafiar-se, surpreender-se. Ali emergem muitos tipos de sentimentos, os quais nem a prĂłpria criança, por vezes, compreende.


Mas como planejar um ambiente onde exista continĂȘncia e “espaço” para tudo isso?

A partir desta reflexĂŁo, entĂŁo, Ă© que propomos um diĂĄlogo sobre a importĂąncia do terapeuta considerar o espaço fĂ­sico no setting terapĂȘutico. Para nĂłs terapeutas, os colegas arquitetos parecem, por vezes, imbuĂ­dos de poderes especiais, de forma semelhante Ă  percepção do prĂłprio terapeuta no imaginĂĄrio infantil. Os arquitetos parecem ler mentes e transpor, em lindos desenhos tridimensionais, sentimentos e percepçÔes subjetivas associadas Ă s necessidades de infraestrutura e comodidade. Assim, se aliarmos as necessidades tĂ©cnicas da psicologia Ă  resolutiva funcional do planejamento arquitetĂŽnico serĂĄ possĂ­vel projetar um ambiente que possa configurar-se como mais um recurso de grande valia para os processos terapĂȘuticos infantis.

No desenvolvimento infantil as brincadeiras sĂŁo muito importantes, sendo a principal via de acesso a este pequeno sujeito em constituição. Assim, o ambiente em que as brincadeiras ocorrem exerce forte influĂȘncia sobre a aquisição e manutenção de comportamentos. O espaço deve contemplar diversos estĂ­mulos estruturados, como jogos e brinquedos, bem como aqueles que proporcionam uma imaginação criativa, chamados de nĂŁo-estruturados, como lĂĄpis, sucata, tintas, e tudo que possa simbolicamente transformar-se na necessidade de subjetivação.

Pensando assim, um ambiente funcional, prĂĄtico, e imaginativamente instigante, pode configurar-se como um grande apoio. No entanto, o principal para projetar um espaço terapĂȘutico Ă© a escuta do que realmente Ă© importante, e mais do que um visual agradĂĄvel, este espaço nĂŁo pode prescindir de sua função terapĂȘutica. Ainda nesta questĂŁo, nĂŁo podemos esquecer que quando falamos em atendimento de crianças, inevitavelmente estamos falando de famĂ­lia e/ou cuidadores, estes com papel preponderante nos processos de terapia infantil. Sendo assim, este espaço tambĂ©m necessita acolher esta famĂ­lia e mais ainda, proporcionar um local onde seja possĂ­vel o diĂĄlogo entre esta criança e “seus adultos”.

Enfim, pensar o ambiente como mais um recurso na terapĂȘutica infantil pode apresentar-se como uma estratĂ©gia fecunda, atravĂ©s da dialĂ©tica interdisciplinar de ĂĄreas aparentemente distantes: psicologia e arquitetura.

Para finalizar esta reflexĂŁo, que tem por objetivo abrir espaço para que muitas outras aconteçam, compartilho da ideia do psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung, para quem, ao planejar um ambiente, projetar um espaço ou delimitar um plano terapĂȘutico, prevaleça a premissa:

“Conheça todas as teorias, domine todas as tĂ©cnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”

 
 
 

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